Um projeto de móveis sob medida leva, em média, de trinta a quarenta e cinco dias corridos entre a aprovação do projeto e a montagem. Esse intervalo cobre a produção, e não o processo inteiro: antes dele existem a medição técnica, o desenho e as rodadas de ajuste, que dependem do cliente tanto quanto da marcenaria. Um apartamento completo, com vários ambientes e acabamento em laca, costuma passar desse prazo.
O número sozinho engana. Vale mais entender a sequência, porque é nela que a data de mudança se define — e é nela que os atrasos nascem.
As etapas, uma a uma
- Conversa inicial e briefing. O que vai em cada ambiente, como a casa é usada, o que precisa ser guardado. Dias, não semanas — mas define tudo o que vem depois.
- Medição técnica no local. Precisa ser feita com o ambiente no estágio final de revestimento. Medida tirada antes do piso assentado é medida que vai mudar.
- Projeto e detalhamento. O desenho executivo, com as peças, os acabamentos e os pontos de elétrica e iluminação definidos. É aqui que a maior parte do tempo de decisão se acumula.
- Aprovação. O marco que inicia a contagem de produção. Alteração depois desse ponto reinicia parte do relógio.
- Produção. Corte, usinagem, montagem de estrutura e acabamento. É a etapa mais previsível de todas.
- Montagem. Alguns dias por ambiente, dependendo do volume e do acesso ao apartamento.
O que estica o prazo
Quase nenhum atraso de marcenaria nasce na oficina. Ele nasce antes, em decisões que ficaram em aberto:
- Mudança de projeto depois da aprovação. A mais comum, e a mais cara em tempo. Uma alteração aparentemente pequena pode reordenar o corte inteiro de uma chapa.
- Acabamento indefinido. Enquanto a cor ou o material não fecham, a produção não começa. Costuma ser a etapa em que mais dias se perdem.
- Laca. O acabamento exige demãos sucessivas com tempo de cura entre elas, e não há como comprimir isso sem comprometer o resultado.
- Medida que muda. Contrapiso, revestimento ou forro executados depois da medição alteram o vão real.
- Dependência de outras frentes. Marmoraria, elétrica e vidraçaria entram em ordem específica, e uma frente parada trava a seguinte.
Onde a marcenaria entra no cronograma da obra
Há uma diferença importante entre chamar a marcenaria e medir com ela. O contato precisa acontecer cedo, ainda na fase de projeto, porque é a marcenaria que define onde ficam tomadas, pontos de luz e o ponto de água do gourmet. Definir isso depois do gesso fechado significa quebrar parede.
A medição definitiva, no entanto, acontece depois — com piso assentado e paredes acabadas. Antecipar essa etapa é o erro que mais gera peça fora de esquadro. E na cozinha há uma ordem que se repete: a marcenaria produz e instala a estrutura, a marmoraria mede a bancada em cima da estrutura já montada, e só então a pedra é fabricada. Inverter isso custa uma semana no mínimo.
Por que o prazo curto demais é sinal de alerta
A pergunta sobre prazo costuma ser feita com a esperança de ouvir um número baixo. Vale desconfiar quando ele vem rápido demais e antes de qualquer visita técnica ao ambiente. Sem medição não há como dimensionar produção, e o compromisso assumido nessas condições precisa ser recuperado depois — em material mais simples, em acabamento apressado ou no próprio atraso que se queria evitar.
Prazo confiável é o que vem depois da medição, escrito no contrato, dividido por etapa. Um cronograma que informa a data da medição, da aprovação, da produção e da montagem é mais útil que um número único, porque permite acompanhar se o projeto está no rumo antes que seja tarde.
É assim que a Prado organiza cada obra desde 2015, em mais de duzentos ambientes entregues em Curitiba. Se você está começando agora, entenda antes o que observar antes de assinar e a diferença entre contratar uma marcenaria ou uma loja de planejados — os dois caminhos têm cronogramas que se comportam de maneira diferente quando algo sai do previsto.